Gestão

PDCA, DMAIC ou 6Es? Talvez a pergunta esteja errada

Métodos não deveriam competir por protagonismo; deveriam servir à realidade. PDCA, DMAIC e os 6Es podem responder a necessidades diferentes dentro de uma arquitetura mais ampla de gestão.
PDCA, DMAIC ou 6Es? Talvez a pergunta esteja errada

Quando diferentes métodos aparecem na mesma conversa de gestão, é comum surgir uma pergunta aparentemente natural:

“Qual deles é melhor?”

PDCA?

DMAIC?

6Es?

Tenho cada vez menos interesse nessa disputa.

Não porque método seja irrelevante. Muito pelo contrário.

Métodos organizam raciocínio, reduzem improvisação, ajudam equipes a compartilhar uma linguagem e tornam o aprendizado mais replicável.

O problema começa quando o método deixa de servir à realidade e passa a disputar protagonismo com ela.

Métodos diferentes podem ocupar lugares diferentes

PDCA, DMAIC e os 6Es não precisam ocupar exatamente o mesmo lugar.

O PDCA é uma estrutura extremamente útil para organizar ciclos de planejamento, execução, verificação e ação corretiva ou de melhoria.

O DMAIC oferece uma disciplina poderosa quando precisamos definir um problema, medir, analisar causas, melhorar e controlar um processo com maior profundidade analítica.

Os 6Es da Power 4P — ENXERGAR, ENTENDER, ESCOLHER, EXECUTAR, EVIDENCIAR e EVOLUIR — foram organizados com outra intenção: representar uma dinâmica de gestão que começa antes da escolha da intervenção e continua depois da execução, incorporando decisão, evidência e evolução da capacidade de gestão.

Isso significa que os 6Es substituem o PDCA ou o DMAIC?

Não.

Essa não é a proposta.

Uma organização pode, por exemplo, ENXERGAR uma anomalia, ENTENDER que existe um problema de variação em um processo e, ao ESCOLHER como agir, decidir utilizar DMAIC como abordagem para aprofundar aquela investigação.

Em outro contexto, pode utilizar o PDCA para organizar um ciclo de melhoria mais simples e recorrente.

O método escolhido pode existir dentro de uma arquitetura de gestão mais ampla.

Talvez a pergunta mais útil seja outra

Talvez, então, a pergunta mais útil não seja:

“Qual método vence?”

Mas:

“Que realidade precisamos gerir?”

Antes da ferramenta, existe o objeto da gestão.

Precisamos saber se estamos diante de um problema, uma oportunidade, um risco, uma anomalia ou um potencial ainda não explorado.

Depois:

O que realmente sabemos sobre essa realidade?

Quais relações, causas, regras, restrições, pessoas e processos estão envolvidos?

Que evidências temos?

Quais alternativas existem?

Qual delas é compatível com o impacto esperado, os riscos, os recursos e a capacidade disponível?

Quem pode decidir?

Quem precisa executar?

E, depois da execução:

O que de fato mudou?

Nossa hipótese sobreviveu à realidade?

O resultado apareceu apenas no indicador ou conseguimos demonstrá-lo?

O que aprendemos que deve alterar a próxima leitura do sistema?

Evidenciar não é apenas medir

É por isso que, na Power 4P, EVIDENCIAR não é apenas sinônimo de MEDIR.

Medir pode fazer parte da evidência.

Mas evidenciar é demonstrar, com fatos e resultados, o que foi feito, o que mudou e se a hipótese realmente se sustentou.

Da mesma forma, EVOLUIR não significa simplesmente reiniciar um ciclo.

Significa voltar a ENXERGAR com mais aprendizado, mais evidências e, idealmente, maior capacidade de gestão.

A realidade não respeita as fronteiras dos modelos

Há outra razão para evitar a disputa entre métodos.

A realidade organizacional raramente respeita as fronteiras dos nossos modelos.

Um problema que aparece em Pessoas pode começar em Processos.

Uma falha de Processo pode ser consequência de uma decisão de Rentabilidade.

Uma redução de custo pode afetar a capacidade de entrega de Produtos/Serviços.

Um indicador pode estar correto e, ainda assim, induzir uma decisão ruim se estiver desconectado do contexto.

O método pode ser replicável.
A solução precisa continuar sendo contextual.

Isso exige sofisticação proporcional à evidência.

Há situações em que um bom diagnóstico, alguns dados confiáveis e uma decisão clara resolvem o problema.

Há outras em que precisamos de experimentação, análise estatística, simulação, redesenho de processo ou meses de acompanhamento.

Aplicar a mesma intensidade metodológica a qualquer situação não é rigor.

Pode ser apenas desperdício metodológico.

Método não é resposta

O ponto não é agir sem método.

É não confundir método com resposta.

PDCA, DMAIC, Lean, análise de processos, teoria das filas, BI, IA ou qualquer outra abordagem continuam sendo meios.

A pergunta final permanece mais simples — e mais difícil:

Estamos aumentando a capacidade da organização de compreender a realidade, escolher melhor, executar, demonstrar resultados e aprender?

Se a resposta for sim, o método cumpriu seu papel.

Se a resposta for não, talvez seja hora de parar de perguntar qual método estamos utilizando.

E voltar a perguntar o que, de fato, estamos tentando gerir.

Power 4P

O método é meio. A pergunta final é se aumentamos a capacidade da organização de compreender, escolher, executar, evidenciar e evoluir.

Conheça a Power 4P